Na noite do dia 6 de novembro, recebi Adriana, Jess e Tati, fundadoras do Projeto Alquiminas, para uma conversa que incendiou corações e consciências.
O tema: Como transformar traumas em potência — e como mulheres podem reconstruir a si mesmas sem precisar carregar o peso de provar força pela dor.
💜 O nascimento do Alquiminas e a força que não nasce do sofrimento
As fundadoras contaram como suas histórias de violência e silenciamento se transformaram em uma rede de acolhimento.
O Alquiminas nasceu da necessidade de quebrar o ciclo e de ampliar o cuidado — oferecendo escuta, informação e pertencimento a mulheres que muitas vezes enfrentam tudo sozinhas.
“A força feminina é intrínseca — não precisa nascer da dor.”
O mito da mulher guerreira é bonito na teoria, mas perigoso na prática: faz com que muitas permaneçam no sofrimento para se sentirem fortes.
O verdadeiro poder nasce do amor-próprio e da autonomia emocional.
🪞 Sentir para curar: o corpo fala quando o trauma é silenciado
O grupo falou sobre a importância de sentir a dor antes de ressignificar.
Pular etapas é como colocar um curativo sobre uma ferida infeccionada: parece cicatrizada, mas continua doendo.
A cura começa no reconhecimento do sentir, no acolhimento da raiva, da tristeza e do medo — emoções que, quando compreendidas, mostram o caminho da reconstrução.
“O corpo fala o que a boca cala.”
Traumas não elaborados viram sintomas, dores físicas, bloqueios emocionais.
O autoconhecimento é o antídoto.
⚖️ Culpa, silêncio e as falhas de um sistema que ainda não escuta
As entrevistadas denunciaram o quanto a sociedade ensina mulheres a se calarem — e como o próprio sistema jurídico e policial ainda falha em protegê-las.
Mesmo com medidas protetivas, muitas são obrigadas a “reafirmar o medo” para garantir segurança.
Enquanto isso, narrativas como “vai acabar com a vida dele” continuam apagando a vida dela.
A culpa, quando bem compreendida, pode se tornar bússola.
Ela mostra onde estão os limites, o que precisa mudar e o que não se aceita mais — sem autodestruição, com consciência.
🔥 Raiva consciente: a força que protege sem ferir
Um dos pontos mais potentes da live foi a discussão sobre a raiva como ferramenta de transformação.
A raiva legítima e consciente não destrói — protege.
Ela ajuda a impor limites, interromper ciclos e dizer “não” com firmeza.
É o oposto da violência: é a energia vital da autopreservação.
“Não é sobre não sentir raiva.
É sobre aprender o que ela quer te dizer.”
👩👧 Romper ciclos: o amor que cura gerações
Muitas das mulheres do projeto são mães.
E todas reconhecem que romper o ciclo é também proteger os filhos.
Crescer em ambientes amorosos e seguros ensina às crianças que o amor não precisa doer.
“Culpa não cura. Reparação cura.”
Romper o ciclo é ensinar novos modos de amar — e deixar um legado de liberdade.
🔮 Redescobrir-se: queimar o silêncio, não as mulheres
A live terminou com um ato simbólico:
em vez de queimar bruxas, queimar as narrativas que nos aprisionam.
As participantes escolheram “queimar o silêncio” — o símbolo do medo e da omissão.
A partir das cinzas, o renascimento de mulheres que ousam existir do próprio jeito.
💬 Um chamado à consciência coletiva
O Alquiminas reforça: informação é poder.
Empoderar mulheres é garantir que saibam seus direitos, compreendam seus ciclos e construam redes de apoio.
O despertar é coletivo — e urgente.
🌸 Próximos passos
✨ Evento “Raiva Consciente” — Bertioga, dezembro.
✨ Bodas de Liberdade — maio, São José dos Campos: 10 anos de divórcio, celebrando a autonomia e a reconstrução.
Siga @alqui.minas e @advogoparaelas para acompanhar os próximos encontros.
Porque nas quartas, a gente queima o medo — e usa Freud. 🧠🔥
👩⚖️ Dra. Stephanie Azevedo
Advogo Para Elas
www.stephanieazevedo.com.br